quarta-feira, 18 de maio de 2011

Jornal Dínamo

"O Eremita Galego"e-mail
Literatura
Escrito por Paula T.   
18-Mai-2011
Pedro Miguel Rocha

Obra vencedora do 
PRÉMIO LITERÁRIO MARIA ONDINA BRAGA • 2011
,
patrocinada pela Câmara Municipal de Braga

Conseguiríamos viver isolados, tendo somente o mar e o silêncio como companheiros?

eremita_galego.jpgOpinião:
O ser humano é sem dúvida um ser de essência única e misteriosa.
Até quando, há que passar por dificuldades para nos apercebermos que estamos aqui (talvez) por uma única vez e há que aproveitar esta curta estadia para deixarmos algo , uma marca , por mais pequena que esta seja…sei que esta frase é um lugar comum, mas quantos se apercebem disso realmente? Quantos continuam a dizê-lo sem nada fazerem??
O valor e o significado que damos às pequenas coisas. Quantos, entre nós, olharão os pormenores com um olhar especial? Quantos saberão minimizar os seus problemas e não fazer da vida um drama? Por vezes, senão mesmo muitas vezes, é necessário sofrer de forma atroz para renascer…
“O Eremita Galego” é uma obra do autor Pedro Miguel Rocha, “Eremita (do gr. Eremites “que vive em lugar ermo”, (…) pessoa que evita a convivência social, que vive isolada(…)” pág 7
Um livro que se lê num serão, tal é a forma que as acções se desenrolam e nos tocam.
Jorge, é um homem feliz com a sua família e até certo ponto com a sua rotina, de um momento para o outro, vê a sua vida esvair-se tal é a maldade dos outros, a maldade do mundo, onde o dinheiro e os interesses prevalecem cada vez mais.
Assim, após desvendar várias situações, Jorge decide afastar-se da civilização por longos anos e só voltará à vida entre os seus pares depois de muita reflexão, porém quando volta é de uma forma renascida, decidido a fazer algo pelos outros, o que infelizmente (quase) já não existe na nossa sociedade: ajudar os outros sem interesse! Há, de certo, muito mais a dizer sobre este livro, sobre esta história...
À parte de toda a reflexão que nos envolve nesta obra, há uma crítica não menos importante por parte do autor às editoras, como grandes interesseiras nos livros escritos por autores de nomes sonantes, sem olhar ao conteúdo do livro. Vender o livro de alguém que já é famoso é objectivo primeiro de muitas editoras! Este é um mundo conhecido por parte do autor, imagino as dificuldade em editar ou que presenciou outros terem…
Este é um livro que aconselho sem reservas!

Sinopse:
Este livro conta-nos a história de um professor universitário de filosofia, de 50 anos, que, a dada altura, vergado por conflitos pessoais e profissionais, e por uma devastadora intriga que o leitor acompanhará com emoção, sente uma incontornável neces­sidade de se refugiar na costa galega, num casebre abandonado. Viverá, então, a partir daí e durante vários anos, totalmente isolado do mundo, relegado, por opção própria, à quase exclusiva com­panhia do mar.
"O que mais me moveu a ler 'O Eremita Galego' sem parar, de uma única vez, foram as inúmeras qualidades que o autor revela, mais uma vez, na sua obra, alertando o Ser Humano para as coisas mais simples, mas também mais importantes da sua existência."
Daniela Santiago, Jornalista da RTP e Professora Universitária. Excerto adaptado do Prefácio.

“À porta do casebre, outrora abrigo de agricultores, apreciava a tempestade que arreba­nhava a paisa­gem, impávido…
Não tinha nada a perder…”
Jorge Barros, Professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem uma esposa, uma filha, um emprego e um quotidiano bem definido. A inapelável inconstância da vida humana, contudo, fará desabar os alicerces da sua rotina.
Esta é uma obra que nos faz reflectir sobre as vicissitudes da nossa existência, sobre a precariedade daquilo que temos como adquirido e sobre a facilidade com que o destino – com um simples sopro – altera o rumo das nossas vidas singulares.

In Jornal Dínamo, 18 de maio de 2011




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