quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Blogue "Silêncios que Falam"

«O Eremita Galego», de Pedro Miguel Rocha


Será o Ser Humano o mestre e arquitecto da sua vida? O isolamento misturado com o silêncio será uma fórmula de auto-ajuda? Quem constrói o destino, o caminho percorrido e o a percorrer? 

A vida deste professor de Filosofia parece ser, á priori, um mar de rosas. Tendo uma profissão e uma família exemplar, este homem um dia depara-se com mentiras recalcadas e omitidas, tanto da sua cônjuge, como da sua filha Ana.
Ao ver que a sua vida não passou de uma construção mal alicerçada, Jorge inicia um longo caminho de reflexão, afastando-se do seu lar, de tudo e de todos, refugiando-se e tendo o mar como seu único vizinho. 
O momento de transformação de Jorge, quando passa de ajudado a ajudante foi muito bom de ler, em especial, na conversa que este tem com uma velhinha pedinte.
Neste romance do escritor Pedro Miguel Rocha, as solicitudes da vida dos personagens são apresentadas de modo a que reflictamos sobre a essência e teias que escondem-se atrás das aparências humanas.
A natureza do Homem é vista como inata, parte integrante do seu modo de agir, e por vezes, parte intrínseca do seu apelo à mentira, para não ferir constrangimentos.
O aborto, o suicídio, a traição, a mentira, a ganância, o sofrimento, o altruísmo, o isolamento e o silêncio são temas/sentimentos delicados, mas tão bem alinhavados, numa estrutura narrativa exímia, pelo punho e mestria de Pedro Miguel.
Um livro de história breve, intenso filosoficamente, desvendando uma escrita subtil, crítica e poética.

“..todos temos os nossos pátios secretos, onde poucos entram.”
“Ficámos os dois, durante alguns minutos, a beijar o silêncio e a lamber as feridas do passado.”



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